ANTECEDENTES

El O cálcio (Ca) é um nutriente essencial para plantas. Após ser absorvido pelas raízes, é transportado via xilema seguindo o fluxo de transpiração e é distribuído basicamente pela mesma via para todos os órgãos da planta. Este nutriente intervém em inúmeras funções dentro da planta, atua como mensageiro e fornece estabilidade estrutural da parede celular e da membrana.

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Em termos de sua necessidade por plantas superiores, o Ca é classificado como nutriente secundárioNo entanto, ele está envolvido em vários processos bioquímicos e morfológicos.

O cálcio está envolvido em mais de trinta distúrbios fisiológicos de importância econômica nas culturas, basicamente devido a uma má distribuição do elemento em tecidos de órgãos (Shear, 1975). No tomateiro, por exemplo, a deficiência localizada de cálcio causa apodrecimento apical e promove rachaduras nos frutos, enquanto o excesso de cálcio induz a formação de manchas douradas. O cálcio desempenha um papel importante na resistência das plantas a doenças, protegendo a parede celular das enzimas desintegrantes secretadas por patógenos.

Em plantas cultivadas, os sintomas de deficiência de cálcio são raramente observados. No entanto, perdas significativas ocorrem anualmente devido a distúrbios fisiológicos resultantes de concentrações inadequadas desse nutriente em folhas, frutos, raízes ou tubérculos.

O cálcio tem recebido considerável atenção nos últimos anos não apenas por sua relação com distúrbios fisiológicos, mas também por seus efeitos benéficos, principalmente em frutas, nas quais pode Reduz a respiração, retarda o amadurecimento, aumenta a vida pós-colheita, além de melhorar a firmeza e o teor de vitamina C.Vários experimentos indicam que o aumento do cálcio nas paredes celulares dos tecidos vegetais diminui a presença ou gravidade de doenças (Villegas e outros, 2007b).

Por sua vez, o boro (B) É um micronutriente necessário para a nutrição de todas as plantasAs principais funções do boro estão relacionadas com a Desenvolvimento e resistência das paredes celulares, divisão celular, desenvolvimento de frutos e sementes, transporte de açúcar e desenvolvimento hormonalEmbora a essencialidade do B como micronutriente para todas as plantas vasculares, visando à obtenção de produções de alta e boa qualidade em práticas agrícolas, esteja bem estabelecida, o conhecimento sobre suas funções metabólicas nas plantas permanece incompleto. Algumas pesquisas têm melhorado significativamente a compreensão de alguns processos nas plantas relacionados ao seu consumo e transporte (Takano et al., 2006), formação da parede celular (O'Neally et al., 2004), funções da membrana celular (Goldbach et al., 2001) e defesa antioxidante (Cakmak e Römheld, 1997).

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ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE CÁLCIO NA PLANTA

O CA2+ É transportado pela via apoplástica até o xilema. O transporte de Ca no xilema ocorre por fluxo de massa de Ca2+ livre, alguns de Ca organicamente complexado e pelo movimento cromatográfico ao longo dos sítios de troca de Ca nas paredes do xilema. A competição entre os sítios de demanda se intensifica quando a concentração de Ca2+ No xilema ela é baixa e a transpiração é alta (Clarkson, 1984), o que pode causar deficiência nutricional.

Absorção e distribuição de cálcio na planta

A concentração de Ca nas plantas varia de 0.2 a 3.0% do peso seco do tecido foliar, com valores de suficiência de 0.3% a 1.0% nas folhas da maioria das culturas. A maior concentração é encontrada nas folhas mais velhas. Sugere-se que a concentração total de Ca não seja um indicador confiável de suficiência, pois se acumula em algumas plantas como cristais de oxalato de cálcio. Portanto, o Ca extraível pode ser um melhor indicador de suficiência (Jones et al., 1991).

 

FUNÇÃO DO CÁLCIO NA ESTRUTURA CELULAR

Ca atua como segundo mensageiro na regulação de uma ampla variedade de processos fisiológicos e anatômicosA regulação do Ca celular é uma função essencial, realizada por um conjunto de processos complexos chamados coletivamente de homeostase do Ca.

O Ca funciona predominantemente como componente estrutural nas paredes celulares e na manutenção da integridade da membrana plasmática. A deficiência deste nutriente aumenta a permeabilidade da membrana, a dissolução da lamela média e as alterações associadas na parede celular. A maior parte do Ca que entra na planta acumula-se nas paredes e membranas celulares. Na parede celular, a acumulação é facilitada pela ligação com polímeros de pectina, particularmente na lamela média, para formar uma rede de parede celular que aumenta a resistência mecânica (Gerasopoulos e Chebli, 1999).

O Ca constitui um elemento estrutural na arquitetura da membrana: pontes eletrostáticas formadas por Ca e componentes da camada lipídica da membrana permitem a ancoragem e a estacionariedade de proteínas integrais. A estabilidade da membrana, a microviscosidade e o estado da fase lipídica podem ser controlados pelo Ca (Leshem et al., 1992). O Ca preserva a integridade da membrana de duas maneiras: uma, retardando alterações nos lipídios que a compõem devido à senescência; e outra, aumentando os processos de reestruturação. (Gerasopoulos e Chebli, 1999).

Embora outros cátions possam substituir os locais de ligação do Ca, eles Eles não são capazes de substituir a função deste último de estabilizar a membrana.A ausência de Ca na membrana faz com que ela se torne porosa e os solutos sejam perdidos do citoplasma. Com a deficiência de Ca, a estrutura da membrana se desintegra. Os distúrbios ocorrem principalmente em tecidos meristemáticos, como a ponta da raiz, pontos de crescimento nas partes superiores das plantas e órgãos de armazenamento (Kirkby e Pilbeam, 1984).

A deficiência de Ca modifica a ação seletiva dos cátions, induz alterações ultraestruturais e altera o processo relacionado à fusão da membrana plasmática, causando também a separação da fase fosfolipídica em membranas artificiais (Marmé, 1983).

 

EFEITO DE UMA ALTA CONCENTRAÇÃO DE CÁLCIO NAS PLANTAS

O Ca é um cátion relativamente não tóxico em grandes quantidades e as plantas podem se adaptar a uma ampla variedade de fornecimento.A toxicidade se desenvolve lentamente e geralmente pode ser atribuída a um efeito indireto envolvendo outros íons (Nonami et al., 1995). Entre os efeitos que podem ocorrer em plantas quando submetidas a altas concentrações de cálcio estão: parada do crescimento devido ao impedimento da extensão da parede celular, rigidez da membrana celular e aumento de depósitos insolúveis nas paredes e vacúolos (Hanson, 1984). Altas concentrações de Ca₂₂ que excedem a tolerância fisiológica diminuem a fotossíntese e interrompem os fluxos de K₂₂₂.+ (Marschner, 2002).

Ao contrário de outros macronutrientes, uma alta proporção do cálcio total nos tecidos vegetais está frequentemente localizada nas paredes celulares devido ao grande número de sítios de ligação ali encontrados, bem como ao transporte reduzido de cálcio para o citoplasma. Na lamela média, ele está ligado aos grupos carboxila dos ácidos poligalacturônicos (pectinas) em uma forma relativamente trocável. Em plantas dicotiledôneas, que possuem alta capacidade de troca catiônica (CTC), mais de 50% do cálcio total está ligado aos pectatos (Marschner, 2002).

 

DOENÇAS POR DEFICIÊNCIA DE CÁLCIO

Os problemas associados à deficiência de Ca nas plantas são caracterizados em duas áreas:

  1. aqueles relacionados à incapacidade de absorver Ca da solução devido à baixa concentração absoluta ou baixas relações Ca/outros cátions
  2. aqueles relacionados à distribuição inadequada de Ca para tecidos em crescimento ativo após a absorção. O movimento ascendente de Ca no xilema e sua distribuição final dependem em grande parte do fluxo de massa associado à transpiração. O transporte de Ca através do xilema é controlado pela densidade de cargas negativas nos vasos, pela concentração de outros cátions neste tecido e pela capacidade das células.
    adjacente para remover Ca dos locais de troca (Marschner, 2002).

 

Doença de deficiência

 

Os distúrbios associados à deficiência de Ca incluem sintomas diversos. As podridão apical Começam no polo oposto ao pedúnculo, com a formação de numerosas pequenas necroses que eventualmente formam uma mancha quase circular, deprimida, com bordas bem definidas, que pode cobrir metade do fruto. A podridão apical, que se correlaciona com o colapso das lamelas médias das células pulpares, está relacionada a baixas concentrações de Ca no tecido distal e ao rápido crescimento do fruto (Ho et al., 1999). Os sintomas de quebra de frutas Consistem em rachaduras que se estendem do ponto de inserção com o cálice, quase sempre aparecendo em frutos maduros e, às vezes, durante o amadurecimento. Geralmente são causadas por deficiência hídrica em altas temperaturas ambientes, seguida por uma rápida mudança na umidade fornecida às plantas. No entanto, esse fenômeno pode ser exacerbado pela redução da rigidez da parede celular causada por baixas concentrações de Ca (Resh, 2001).

O PAPEL DO CÁLCIO NA RESISTÊNCIA DAS PLANTAS A DOENÇAS BIÓTICAS

A capacidade infecciosa dos microrganismos que se desenvolvem nas células vegetais é determinada pela sua capacidade de hidrolisar as paredes celulares.Sem essa condição, a penetração de um agente infeccioso em um grupo de células afetadas por uma ferida não seria acompanhada pela disseminação da infecção para células vizinhas; por essa razão, um aspecto muito importante na patogênese das doenças de plantas é o mecanismo químico pelo qual o patógeno penetra e coloniza seus tecidos (Cornide et al., 1994).

O papel do cálcio na resistência das plantas às doenças bióticas

 

Os patógenos secretam enzimas que causam o amolecimento das paredes celularesO papel dessas enzimas em processos patológicos é de inegável importância, principalmente em plantas jovens, uma vez que a parede primária das plantas é rica em pectina, enquanto a parede secundária, característica dos tecidos maduros, é mais abundante em celulose e hemicelulose (Cornide et al., 1994).

Vários experimentos indicam que o aumento do Ca nas paredes celulares dos tecidos vegetais pode reduzir a presença ou a gravidade de doenças.

Em um estudo no qual foi avaliado o papel do Ca na proteção dos tecidos do fruto da abóbora contra infecções Botrytis cinerea, foi determinado que O Ca aplicado ao fruto aumentou a concentração desse elemento nas paredes celulares e, assim, diminuiu a digestão da pectina pelas enzimas pectinolíticas do fungo. (Chardonnet e Doneche, 1995).

Aumento da concentração de Ca nas batatas, melhorou significativamente a qualidade e a vida útil do armazenamento, reduzindo os danos causados por Erwinia carotovora (Conway e Gross, 1987). Em tecidos de frutos com alta concentração de Ca, as alterações na composição da parede celular foram geralmente menores devido à infecção, em comparação com as observadas em frutos com baixo teor de Ca. Os resultados desta investigação indicaram que O efeito do Ca na redução da podridão está associado à estabilidade da estrutura da parede celular (Tobias e outros, 1993).

 

BORO NA PAREDE CELULAR E MEMBRANA

A parede celular é fundamental na determinação do crescimento e desenvolvimento da célula vegetal, o que envolve uma modificação dinâmica e contínua durante a diferenciação celular (Pérez Almeida e Carpita, 2006), onde O boro desempenha um papel importante na formação de pontes de borato para a formação do dímero B-RGII, um componente fundamental na arquitetura da parede celular. (Goldbach e Wimmer, 2007). O papel do B também está correlacionado com o desenvolvimento e a lignificação das paredes celulares. (Matsunaga e outros, 2004).

 

Boro na parede celular e membrana

 

Estudos extensivos demonstraram a importância do B para a funcionalidade completa de diferentes processos no nível celular em plantas, onde uma variedade de enzimas e outras proteínas plasmáticas participam, além dos processos de transporte através da membrana e sua integridade (Bronw et al., 2002). A deficiência de B altera o potencial de membrana (Blaser-Grill et al., 1989), reduz a atividade da ATPase no bombeamento de prótons e, consequentemente, o gradiente de prótons através da membrana plasmática (Obermeyer et al., 1996), e reduz a atividade da Fe-redutase (Ferrol e Donaire, 1992).

 

OUTROS PROCESSOS ENVOLVIDOS NA RELAÇÃO BORO-PLANTA A NÍVEL CELULAR

Alguns estudos demonstraram que a deficiência de B afeta o processo de fotossíntese em plantas. Os mecanismos primários da função do B na fotossíntese são desconhecidos, mas ele pode afetar funções ao nível das membranas dos cloroplastos, interrompendo o transporte de elétrons e o gradiente de energia através da membrana, resultando em fotoinibição (Goldbach e Wimmer, 2007).

Outros estudos indicam a existência de uma relação estreita entre B e Ca onde ambos co-agem ao nível da membrana celular por interações ainda desconhecidas (Bolaños et al., 2004). Nesse sentido, evidências de diversas investigações indicam que essa relação é um fator determinante na expressão genética (Redondo Nieto, 2002), além de a participação do Ca ser importante na estabilização dos complexos B (Wimmer e Goldbach, 1999). Além disso, Ca reduz os efeitos da deficiência de B no desenvolvimento de nódulos (Redondo Nieto et al., 2002) mesmo sob estresse salino (El-Hamdaoui et al., 2003).

 

MANEJO DE BORO EM SISTEMAS AGRÍCOLAS

 

Desequilíbrios causados pela deficiência e toxicidade de B são problemas existentes em muitas regiões agrícolas do mundo, e sua identificação e correção são necessárias não apenas por meio de um bom entendimento dos processos envolvidos em sua absorção, mobilização e distribuição na planta (Brown e Hu, 1998).

Em geral, as técnicas de amostragem para diagnóstico do estado B em plantas são baseadas na premissa de que B é imóvel, não se move no floema, como acontece na maioria das espéciesNo entanto, sabe-se agora que B é móvel nas espécies que usam polióis (açúcares simples) como metabólito fotossintético primário com alta afinidade para se ligar a B para transporte subsequente no floema para áreas de acumulação ativa, como meristemas vegetativos ou reprodutivos (Brown et al., 2002). Em espécies que não produzem quantidades significativas de polióis, o B, uma vez translocado com o fluxo de transpiração para as folhas, permanece imóvel sem poder reentrar no floema, acumulando-se nas partes terminais das nervuras das folhas (Brown e Hu, 1998).

A diferença na mobilidade do B influencia o diagnóstico de seu estado para corrigir sua deficiência e toxicidade em plantas, levando em consideração sua mobilidade no floema ao selecionar o tecido a ser amostrado. Isso ocorre porque B não se acumula nas folhas mais velhas, mas sim nas folhas mais jovens nas espécies onde é móvel; enquanto, ao contrário, nas espécies onde é imóvel, sua acumulação é maior nas folhas mais velhas., em comparação com mulheres mais jovens, devido à maior transpiração (Brown e Hu, 1998).

A fertilização com B deve ser conduzida com muito cuidado para evitar problemas de contaminação na cultura, levando em consideração os padrões de mobilidade das plantas. De acordo com evidências experimentais, O B aplicado foliarmente é retranslocado para órgãos em crescimento em espécies onde é móvel (Christensen et al., 2006). No entanto, em espécies onde B é imóvel, sua aplicação foliar não o transloca do local aplicado, pois suas necessidades não podem ser atendidas em tecidos ainda não formados. Portanto, a correção da deficiência é alcançada pela aplicação direta nos locais-alvo. Assim, em árvores frutíferas onde o B é imóvel, mas essencial para o processo de floração, as aplicações são eficazes diretamente nos botões florais ou nas flores (Brown e Hu, 1998).

 

CONCLUSÕES

O estudo do cálcio sob a perspectiva da fisiologia vegetal é essencial para compreender com maior precisão o papel que ele desempenha no desenvolvimento e na produção das culturas, o que permite o desenvolvimento de metodologias nas quais o conhecimento gerado possa ser aplicado para melhorar a resposta das plantas e impactar o aumento da produtividade e da qualidade das mesmas. A concentração absoluta de cálcio e sua relação com outros íons na solução nutritiva são essenciais para reduzir a Distúrbios fisiológicos causados pela má distribuição deste elemento nos órgãos da planta (Villegas e outros, 2007a).

O cálcio aumenta a resistência das plantas a doenças protegendo a parede celular. contra a ação de enzimas desintegradoras secretadas por patógenos (Villegas et al., 2007b).

El boro se destaca como um elemento dinâmico que afeta um número excepcionalmente grande de funções biológicas envolvidos em um amplo espectro de processos abrangidos pelas plantas (Malavé e Carrero, 2007).

É essencial conhecer a mobilidade relativa do boro na espécie para coleta de tecidos, cuja análise indicará o estado de boro da planta e a consequente estratégia de aplicar ou não fertilização, levando em consideração a estreita margem entre deficiência e toxicidade (Malavé e Carrero, 2007).

 

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REFERÊNCIAS

 

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